“me ajuda.”

Aquelas mãos em concha, imundas e mal cuidadas tremiam, de forma a fazer algum barulho com as moedas chacoalhantes e foscas de sujeira. O dono delas, tanto das mãos quanto das moedas, era um senhor, que aparentava ter sessenta e tantos anos. Ele tinha baixa estatura, corpo magricelo e pés grandes e desengonçados dentro de sapatos encardidos de numeração maior. Usava roupas surradas, de segunda mão. Camisas de manga curta, nas quais caberiam três daquele homem. Calças furadas nos joelhos, desfiadas nas barras e embarradas. Ele era uma caricatura de mendigo. Seus cabelos eram ralos e acinzentados, gordurosos e duros pela falta de banho. Seu rosto era moreno, torrado pelo sol, enquanto ficava parado sob a igreja, esperando que alguém lhe desse algo para comer ou beber.
Frequentemente, era visto com uma garrafa da pinga mais barata. Qual era sua história? Era o que eu pensava, ao passar por aquele homem. Suas pálpebras eram caídas, e diversas camadas de pele eram vistas sobre os olhos, que miravam os pedestres com um ar triste, de peixe morto. Sua barba rala e dura escondia sua boca, onde poucos dentes viviam. Um narigão oleoso era o maior volume encontrado em sua face e dele saíam vários tufos de cabelo, assim como de suas orelhas cobertas de cascões pretos. Quando alguém passava por ele, o mendigo apenas olhava com sua expressão inexistente, os olhos melancólicos e dizia, com uma dicção deplorável mas entendível, se prestada a devida atenção: “Me ajuda.”.

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