o sono.

Um de seus mais profundos desejos era abrir aquela porta. Era de madeira escura, com uma fechadura trabalhada em bronze e maçaneta esculpida em pequenos rococós. Sabia o que encontraria do outro lado. Não era nenhum mistério, mas, enquanto chegava mais e mais perto da abertura, sonhava com uma fantasiosa situação. No quarto de paredes verde-água, cama de madeira clara e edredom macio e colorido veria a si mesma dormindo. O corpo imóvel, só percebendo a vida nele contida pelo suave arfar da respiração tranqüila. Os cabelos estariam sobre sua própria orelha, como sempre se acostumara a organizá-los antes de cair no sono. A boca meio aberta exibiria lábios macios e um pouco flácidos de letargia, e nos olhos totalmente fechados transpareceria a qualidade daquele sonho. Sonhando com alguém especial. A obviedade de quem era esse alguém também se mostraria no momento em que, entretida no próprio mundo particular e fantástico, ela fechasse a boca e curvasse os beiços em um sorriso tímido. Aquele que ela sempre expressava quando estava com ele. Mas, em seus mais profundos desejos, estava ali, observando a si mesma dormindo e descansando imaginariamente no peito dele. O que viria a seguir era um símbolo do sonho dentro do sonho. Em vez de dizer “acorda”, pediria encarecidamente para voltar a dormir.

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