Uma imagem, hum mil palavras, hum sentimento e uma colher de açúcar.

Aquela semana ela se sentia diferente. Acordou diferente. Não sabia o que era, será que via o futuro próximo e sentia-se amedrontada? Talvez essa fosse a resposta mais plausível e, ao mesmo tempo, menos plausível para explicar o formigamento cerebral que a mantinha em constante preocupação quanto ao seu relacionamento com ele. Mas de fato, aquele dia foi especialmente diferente.

Não conseguia a inspiração necessária para criar, sentia-se desinteressada em fazer qualquer coisa. Queria ficar sozinha, mas mais que isso, queria ficar com ele. Estava confusa, difusa em pensamentos estranhos, voando alto com o espírito lá em baixo. Sentiu que de alguma forma ele poderia estar seguindo um caminho diferente, mudando de ideia. Nunca sabia quando ele estava caçoando dela, era um ator excepcional. Foi no momento em que deitou seu corpo na cama dele, que sentiu um objeto duro sob sua cabeça. Era o celular, que, tocado por ela havia acendido sua luz azulada, mostrando que a fotografia deles, que anteriormente encontrava-se ali, havia sido cambiada pela imagem de um violino. Ela então lembrou-se das primeiras conversas que tivera com ele, defendendo que ele precisava ter prioridades, e que esta era a música para ele e viagens, para ela. Era entendível que aquela imagem estivesse ali, mas ela não queria que fosse assim. Queria que qualquer outra foto deles estivesse na capa, onde ele miraria e lembrar-se-ia dela sempre, com uma expressão serena no rosto, na hora de alguma refeição e com comida na boca ou em algum passeio que os dois tivessem feito juntos.

Parou. Já fazia quase 24 horas desde o acontecido que a havia entristecido tanto. Não ousou perguntar o que era. Sabia que ele não gostava de dar explicações. E ela não queria explicações. Só queria que aquilo não tivesse acontecido. Podia ser apenas uma imagem, mil palavras não ditas, sentimentos não revelados, dúvidas escondidas. Mas para ela era uma mudança de atitude, como uma pergunta sem resposta, como se ele estivesse repensando em tudo o que já haviam passado. Decidira que escreveria sobre o acontecido, colocaria toda a sua tristeza ali, no texto lacrimejante, para assim melhorar seus ânimos. Sabia que sobreviveria a qualquer decepção, não cairia. Tudo o que queria era poder abraçá-lo e dizer que não se importava, por mais que fosse mentira. Era covarde quanto à perdê-lo, tinha certeza que seria difícil concertar essa falta que ele fazia.

Enfim, não sabia mais o que escrever. Era um texto inutilizado, mas que significava um ponto em sua vida. Era história. Sua história. A história deles. Talvez, quando tivesse seus 90 anos entendesse o que sentia naquela semana estranha. Talvez encontrasse uma resposta para aquela imagem não estar lá, e nem mil palavras explicarem o que a mantinha duvidosa de toda aquela história. Não releria o texto que acabara de escrever. Não queria pensar muito no assunto. Só queria esquecer.

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