Viver Analógico

Passando os olhos pelas figuras contidas na rede social, percebeu que aquilo era uma extrema falta de controle. Via tudo e ao mesmo tempo, nada. Perdia tempo com absurdos, fotografias com legendas estranhas, pessoas criticando a futilidade dos outros, mas compartilhando a abertura de uma nova butique de sapatos. Era tanto tempo perdido que ela se fosse computar, poderia ter criado muitas coisas, escrito muitos textos, descoberto milhões de oportunidades, daquelas que não se enxerga quando se está mais preocupado em adicionar ou remover amigos e fotos da sua timeline. A partir de agora, descobrira uma fome de conveniência, voracidade do ensejo. Estava na hora de virar o jogo virtual e tornar-se real, analógica, física. Hora de virar papel e caneta, até transformar-se em livro, editado, vendido, um bestseller. Estaria em menos de 10 anos autografando as linhas de sua vida, posando em fotos para o jornal da sua existência. Prêmios seriam erguidos pelo seu sangue e seus olhos captariam o filme veloz de seu coração pulsante. Estava na hora de viver de verdade.

 

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