O branco

Sua cabeça estava vazia como não acontecia há anos. Sem pensamentos. Sem inspiração. Mas, de alguma forma, ela queria muito escrever. Era um desejo físico, não psicológico, seus dedos tamborilavam em qualquer superfície plana como se esperassem pela aparição miraculosa de um teclado. Enquanto seus olhos navegavam pelos livros da estante, pela pilha de roupas passadas que deveriam ser guardadas, pelo emaranhado de objetos sobre sua poltrona e pela gigantesca lista de coisas a fazer, percebeu que era isso que chamava de cérebro em estado de ócio total. Pois nada daquilo provocava pensamento ou lembrança.

Quando enfim ligou seu computador e começou a teclar, registrou coisas sobre as quais não fazia ideia. Deixava suas mãos trabalharem enquanto sua mente descansava, como se milhares de diminutos homenzinhos esfregassem cada canto de sua massa cinzenta. O resultado? Nada muito significativo para qualquer pessoa, mas uma esplêndida limpeza em sua mente empoeirada.

 

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