descanso

De pronto enfiou a mão na bolsa para pegar os fones de ouvido quando sentou-se no banco duro do ônibus, que estava quase vazio. Somente algumas pessoas estranhas estavam paradas, olhando pela janela. Outras em pé, se recusavam a descansar as pernas.
Parou por um instante e pensou melhor. Sua cabeça latejava e seus olhos estavam cansados. Cancelou a operação. Ia, portanto, de ouvidos nus, ouvir somente a melodia do trânsito caótico lá fora – tal como uma trilha de fundo – e escutar o som das têmporas latejando como um coração ansioso e cheio de preocupações. Fechou os olhos e dormiu por alguns instantes, até descobrir que estava no fim da linha. Levantou-se, saiu do ônibus e foi para o outro lado da rua esperar um outro passar para que pudesse finalmente chegar em casa. E descansar de verdade até que tudo começasse novamente.

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