Não-Bixo

Quando ando de ônibus curto observar tudo, seja dentro ou fora dele. Qualquer pessoa, qualquer movimento ou curiosidade. Afinal, esse mundo é muito louco. Olhei outro dia, em meados de dezembro, várias faixas penduradas nas casas, com nomes coloridos e palavras de orgulho, juntamente, é claro, à palavra BIXO em letras grandes e garrafais e o curso de vestibular no qual a criatura passou. Eu ganhei uma faixa. Linda. Amarela com letras rosas pink. E adorei, pois cheguei em casa e ela estava pendurada bem na frente, inflada com palavras bonitas.

Mas neste dia repleto de diversidade, passei por uma casinha azul, simples mas caprichosa. As janelas estavam abertas de dela saíam cortinas brancas, com um leve trabalhado em crochê na ponta. A casa também ostentava uma faixa, com um nome. Faltavam coisas. A palavra BIXO, o tal curso conseguido não estavam pintadas na lona. Uma estranheza. Fiquei curiosíssima para entender se a pessoa passou ou não no vestibular, para qual curso, se achou a prova difícil, se havia estudado. Em um minuto, estava viajando na minha mente sobre um tal fulano ou fulana, que sequer conhecia. Será que ela estava com vergonha da faixa? Será que esqueceram de preencher? Ou a mãe dela não sabia para qual curso estava se candidatando? Eram muitas perguntas. Quando me dei por mim, passei a minha parada e tive que voltar o caminho a pé. Mesmo assim não esqueci da pessoa que tinha somente um nome e uma faixa vazia.

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