Regras Claras da Vida

Ela assobiava com a falta do dentes da frente. A cada novo “esse” ou “efe”, a velha agourava um assobio fino e irritante. Quem a via de lado, falando, podia perceber pequenas gotas de saliva que fugiam de sua boca ao contar alguma coisa. Ela tinha cabelos compridos até os joelhos. Brancos e surrados, como os de uma bruxa. Usava aquelas saias compridas e uma bolsinha bem pequena.
Imaginava eu que aquela mulher havia sofrido a vida inteira, sem dinheiro ou carinho. Mas quando ouvi o que ela comentava com uma mulher desconhecida na parada do ônibus, percebi que as regras do universo eram muito claras.
“Ai, que ônibus demorado. Pegar o ônibus pela manhã é o pior horário,  eu odeio. Acho horrível os dias assim, que têm um sol fraco e com cara de chuva.”
A mulher do lado balançava a cabeça e sorria amarelo, visivelmente era daquelas que não gostam de bater papo com estranhos.
“Ah, que cheiro horrível, que gente horrível, que ônibus quebrado, que rua esburacada, que prédios tenebrosos!”,  reclamava a mulher, sem parar. Era o vício da mal humorada,  ser amarga em todo e qualquer aspecto da vida.
Como a regra do universo é clara, a mulher ficou sem dentes, feia, enrugada e pobre. O que você fala ou pensa, atrai para a vida. Pense em riqueza, você atrairá riqueza. Pense em ódio, atrairá ódio e doença.
Eu amo pegar ônibus pela manhã. É um horário especial, fresco e cheio de luz. Talvez por isso eu só tenho recebido luz em minha vida. Pois vejo tudo pelo lado bom. ❤

Ilustração – Rob Larsen

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