Ruínas de São Miguel das Missões

Este foi o ano eleito para conhecer melhor o que o Rio Grande do Sul tem a oferecer em termos de turismo, tanto pela vontade de entender melhor a nossa história, quanto pela questão financeira (ainda estou investindo no meu apartamento!). Quando meus pais comentaram que levariam meus avós para uma viagem de carro a São Miguel das Missões, animei na hora e praticamente pulei para dentro do carro. Enquanto meus avós estiverem por aqui, pretendo aproveitar todos os momentos de aprendizado!
Então, no início de Maio, entramos no carro às 6h da manhã e tomamos rumo à cidade de São Miguel. A viagem durou cerca de 7 horas, mas a paisagem que víamos pelo vidro era linda: muito verde, muitos campos de soja e arroz, ovelhas e um céu azul maravilhoso.

Chegamos a São Miguel e descobrimos uma cidade pequena, sem estrutura para o turista. Os restaurantes são escassos, poucos locais aonde ir. O hotel Tenondé é o mais estruturado, sendo lindo e muito charmoso. Em breve faço um post só sobre o hotel.

Nosso almoço foi no terrível Aldeia Grill, um restaurante arrumadinho, porém com comida tristemente mal preparada. O galeto queimado coroou a viagem cansativa. Mesmo assim, decidimos manter a esperança nos outros estabelecimentos, o que sempre é ótimo quando se viaja: positividade.

Decidimos visitar as ruínas no mesmo dia em que chegamos. Assistimos a um vídeo sobre a Redução de São Miguel (nome dado ao trabalho realizado pelos jesuítas nos séculos 17 e 18). O vídeo, criado amadoramente nos anos 80, não deixa de mostrar a situação em que o turismo no Rio Grande do Sul se encontra: largado às traças. Sendo Patrimônio Histórico da UNESCO e preservado pela IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), eu esperava que o conteúdo apresentado aos turistas fosse de qualidade infinitamente superior.

18596722_1545129965519825_1837912241_o

As ruínas que contam histórias

Enfim, nenhum desses obstáculos diminuiu o esplendor das Ruínas de São Miguel. A grandiosidade, a energia, a história deste local são emocionantes. Ao pisar nas terras onde índios como Sepé Tiarajú lutaram e morreram com gritos de “Esta terra já tem Dono”, meu coração bateu mais forte. Alugamos o audioguia (R$ 5,00), que me encheu de informações incríveis sobre a história do monumento que se estendia diante de mim. Uma aura de leve culpa paira por dentro das ruínas. Pela história, pela ignorância, pelas mortes causadas ao povo que vivia ali e queria defender suas terras. Um sofrimento causado pelos “invasores”, cujo interesse era ouro e extrair tudo de valioso o que o mundo tinha a oferecer.

18575693_1545129828853172_1405696077_o

Com meu pai, que me explicava mais sobre história

À noite, o espetáculo de Som e Luzes faz o turista sentar-se cara a cara com as ruínas, no frio e no escuro, para acompanhar a história contada em poesia pela própria em uma conversa com a Terra Missioneira. A voz da ruína, interpretada por Fernanda Montenegro ecoa dentro do corpo e arrepia todos os cabelos. Encontrei o texto inteiro do espetáculo neste link aqui. Vale a pena ler, ou, se houver uma oportunidade, vale a pena conhecer ao vivo as tristezas do massacre ao povo Guarani.

Realmente, uma emoção muito grande! Vou contar mais sobre o que vimos por lá em outros posts. Espero que tenham gostado e sintam vontade de conhecer as Ruínas de São Miguel das Missões.

Se você já visitou, me conta como foi!
Até o próximo post!

 

 

 

Anúncios

4 comentários sobre “Ruínas de São Miguel das Missões

  1. Ruínas, construções antigas, tudo que carrega história, eu acho interessante demais. Sempre fico pensando na “memória das coisas”, sabe? Tenho uma atração pelo conceito de pampsiquismo, apesar de não conhecer a fundo a filosofia. Só a ideia de que a matéria tem uma mesma origem/essência que nós, seres orgânicos, já me deixa pensando por um bom tempo.
    Um dia ainda farei um tour pelo Rio Grande do Sul, tá na minha lista de futuras viagens. Nem que seja só pra provar da mesma água que faz o povo daí tanto querer escrever e, em muitos casos, escrever tão bem.

    Não sei se esse tipo de coisa te interessa, mas postei dois poemas lá no blog, se quiser dar uma olhada e me dizer o que você acha.
    https://deliriumscribens.wordpress.com/2017/05/21/2-poemas-1220-a-beira-da-praia/

    • Muito obrigada pelo comentário! Queria ler os poemas antes de comentar. Adorei!

      Sobre pampsiquismo, vou ter que pesquisar. Nunca ouvi tal palavra! Hehe 😛

      Venha para o RS. Indico diversos passeios imperdíveis nessa pequena Europa no Brasil (só que bem mais pobre).

      • Feliz que tenha gostado. De todos os tipos de escrita, sou mais inseguro com a poesia.

        Eu mesmo quero pesquisar com alguma profundidade o assunto. Consciência é um tema que me interessa, mas é bem complexo.

        Pretendo passar por RS. Só não vai dar esse ano porque já estou com viagem programada pra Montevidéu e Buenos Aires. Quem sabe ano que vem. Mas tenho muita vontade de conhecer.

  2. Pingback: Café do Leitor em São Miguel | Livres e Selvagens

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s