Livros que li e coisas que pensei

Tanta coisa tem acontecido que a vida anda meio corrida. Nunca gosto de falar esse tipo de frase: “a vida está corrida”. Dá uma falsa aparência de importância, como se eu fosse uma pessoa cheia de afazeres e isso significasse algo especial. Mas a correria vem de dentro. Vou dividir todas as coisas que quero falar em outros posts, para não escrever em excesso (visto que muita gente não gosta de ler textos muito compridos na web).

Tenho escrito pouco. Menos ainda meus textos “ficcionais”, pois as inspirações deram uma esfriada depois de uma experiência com alguém do mercado. Entreguei para uma editora aqui em Porto Alegre meu livro de ficção. Além dele, imprimi meus textos do blog e os entreguei a ela, para que desse sua opinião. O retorno foi positivo para o livro, mas sobre meus textos, criticou-me a falta de formato, a falta de rótulo. Não são crônicas. Não são contos. Portanto, não têm utilidade para literatura. Ainda que eu entenda este conceito, me chocou um pouco. Será que só eu gosto de passagens inspiradoras, pinceladas de alguma cena que venha à mente, pequenos detalhes fotografados em palavras? Tenho certeza que não. Já recebi bons elogios aqui no blog, de pessoas que gostam do que escrevo. Percebi que travei, depois dessa opinião profissional.

É bom quando sabemos o porquê de determinadas coisas. Agora, sabendo de onde veio meu medo de escrever o texto de identidade inexistente, posso acabar com este bloqueio e voltar aos poucos à pintura de novos momentos. E f**a-se quem não gostar, certo?

Desculpas à parte, cheguei aqui com o objetivo de contar os últimos dois livros que li e nem mencionei aqui no blog. Em outro momento vou falar qual foi o fim do desafio de leitura de 2016.

1808

Um livro polêmico do ponto de vista documental. Muitos historiadores criticaram este livro de Laurentino Gomes, alegando que o autor fomenta a lusofobia e depreda a imagem de Portugal na época do Brasil-colônia. A meu ver, porém, o livro é muito bom e documenta de forma clara todos os dados de onde foram retiradas as informações que nele contém. As passagens são devidamente registradas e assinadas.

1808_di_Laurentino_Gomes

O livro conta sobre a família real Portuguesa que, em 1808, fugiu de Napoleão (que estava tomando conta da Europa) para o Brasil a fim de erguer em sua colônia, um novo reino. Particularmente, gostei muito da leitura. Tem sim, opinião do autor em diversos momentos, o que foi considerado errado pelos historiadores. Em cada página, as críticas ao tenebroso rei João VI, caracterizado como sujo, covarde e bonachão, são percebidas. Assim como à Carlota Joaquina, maquiavélica esposa do rei e toda a corte portuguesa, colocada na história como corrupta, infiel e interesseira.

Ainda assim, conta detalhes e características interessantes sobre a época, a alimentação, a escravidão, a política e a cultura. Me agradou bastante o livro, mesmo sendo tão criticado. Agora vou atrás de outros dois que me foram indicados para “quebrar” a visão negativista de Laurentino Gomes: “Império à deriva”, e “D. João VI”, de Jorge Pedreira e Fernando Dores Costa. Será que vou gostar de uma visão mais “light”?

Cidade dos Etéreos

Já era fã do Ransom Riggs logo no lançamento de “O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares” (aliás, quem aprovou este título gente?!). A forma como o livro foi criado é genial e este segundo volume mostra o grande escritor que é Riggs. O autor é colecionador de fotografias antigas e bizarras, que encontra nos mercados de pulgas que frequenta. São aquelas fotos com superexposição ou mudanças no obturador das antigas câmeras de foto. Para alguns, lixo. Para Riggs, matéria-prima. Seus aspectos estranhos foram reunidos em uma história, que deu origem à serie de suspense e fantasia.

download

Se o primeiro livro originou-se de fotos antigas, o segundo foi o contrário. A continuação foi criada pelo autor e posteriormente foram adicionadas as fotos. Algumas de sua coleção, outras, de pessoas que enviaram fotos antigas e estranhas de seus acervos. Continuando a história do personagem Jacob no mundo dos peculiares, as crianças passam por fendas temporais de diversos momentos da história, à procura de alguém que pode salvar suas vidas. É uma viagem maravilhosa através dos tempos.

Agora, vou atrás do próximo da sequência: “Biblioteca de Almas”.

Só para finalizar: Eu amo conhecer processos de criação de autores. E o do Ransom Riggs é tão sensacional que eu preciso compartilhar alguns vídeos com vocês. Ele se aprofunda na história, tem um formato espetacular de divulgar e despertar curiosidade, criar suspense. Abaixo, um vídeo de John Green, mostrando um “passeio” para onde Riggs o levou. O segundo vídeo foi feito pelo próprio autor, dentro de uma mansão abandonada. Fico arrepiada de conhecer um escritor tão completo em sua arte e sua forma de comunicação com o público, estimulando seus leitores com outras mídias e canais, além do livro.

É, escrevi bastante. Você leu algum desses livros? Me conta o que achou!

Até o próximo post!

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2 comentários sobre “Livros que li e coisas que pensei

  1. Não pare de escrever só por causa de uma opinião de alguém do mercado, mesmo. Independente da validade da crítica – é sempre bom usar o que dizem de negativo como combustível pra alguma coisa -, o mercado é amplo. Às vezes você foi atrás da editora errada pro seu projeto, tanto do livro quanto do blog. Não sei se já li seus textos no blog, acho que pousei aqui depois que eles pararam, mas é possível que eu tenha esbarrado em um ou dois. Se quiser me indicar os que você prefere, gostaria de ler. No entanto, existe espaço, sim, na literatura pra retratos de pedaços do cotidiano, observações deslocadas etc. Estou lendo agora O Livro do Travesseiro, um livro escrito no século XI (se não me engano) por uma dama da corte imperial do Japão. É fantástico e é exatamente sobre isso, o banal, as coisas que acontecem durante um dia. Indico, caso te interesse. De qualquer forma, é uma tradição.

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